Que delícia de cama!

A cama é o melhor lugar para se fazer amor. Mais confortável, pelo menos. Se é que alguém pensa em conforto nessa hora… Mas, enfim, a meu ver, ainda não inventaram local mais adequado. E para dormir, também.

Quem está apostando que eu estou querendo mesmo é abordar finalidades menos óbvias para a cama… Bingo!

Basta acompanhar o folhetim global das nove da noite (pronto, falei, sou noveleira de crachazinho, assumo) para ver a delícia que é se esparramar sobre uma super king size com as irmãs, filhas ou amigas, para falar bobagens, rir ou, mesmo, chorar. Não que não se possa, eventualmente, juntar marido, filhos e irmãos, mas esse é um universo, preferencialmente, feminino.

E de universo feminino, o Maneco (Manoel Carlos, o autor da novela) entende. Os homens do Maneco nunca têm o mesmo carisma das mulheres. Engana-se quem pensa que é pura jogada de marketing para fisgar o público de novela, que se presume ser predominantemente feminino. Essa ideia é coisa do passado. Hoje, os homens curtem tanto quanto.

Para o autor de “Em Família”, que afirma ter sido criado só por mulheres e ter tido um excelente pai-ausente, as relações femininas são mais ricas e importantes que as masculinas. Além disso, ele acredita que as mulheres são bem mais confessionais que os homens, estes não querem – ou não conseguem – verbalizar o que sentem.

Talvez venha daí a importância da “cama-amiga” nos cenários das suas novelas, atuando como personagem na trama. As mulheres da família da atual protagonista estão sempre se reunindo na cama para bater papo, os mais diversos. No início, eram apenas as três irmãs. Agora, passados vinte anos na história, entraram no clima outras personagens.

As cenas são adoráveis! Diante delas, me reporto ao passado. Que menina adolescente nunca passou horas a fio com as amigas na cama narrando os acontecimentos da festinha da noite anterior? E ao presente: não conto as vezes que fiquei – e ainda fico, quando a vida nos permite – conversando com minha filha na minha cama.

Funciona mais ou menos como um “divã-rosa” de psicanalista, com três enormes vantagens: as “sessões” não têm hora nem dia marcados para acontecer; você não precisa anotar na agenda algo que lhe afligiu demais naquele dia e que, muitas vezes, na semana seguinte já perdeu a importância. E a terceira, é “de grátis”!

Sobre Celma Prata

Celma Prata é jornalista profissional e escritora. Autora dos livros "Descascando a Grande Maçã" [Sete_2012] e "Viver, Simplesmente" [Sete, 2016]. Atualmente integra o Conselho Editorial do Jornal AgroValor. É membro efetivo da Academia Fortalezense de Letras, da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil e da Sociedade Amigas do Livro, onde lidera o conselho gestor para o biênio 2016-2018. Ver todos os artigos de Celma Prata

12 respostas para “Que delícia de cama!

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