Letícia, a única inocente

Classificaram o episódio de “fatalidade”. Fatalidade significa, de acordo com os dicionários, “destino inevitável”.

Responsabilizaram a Prefeitura, o motorista do ônibus que atropelou (e fugiu, apavorado, depois se apresentou às autoridades), a empresa de ônibus (que continuou rodando o veículo), o transporte alternativo precário (as tais vans ou topics sem qualquer segurança para os passageiros) e a via pública sem sinalização adequada.

Querem encontrar culpados? Comecemos pelas regras (ou a ausência delas) das escolas públicas, que permitem que crianças pequenas cheguem ou saiam desacompanhadas.

É tão óbvio, mas ninguém – nem a escola, nem a comunidade – admitiu que uma criança de sete anos não deveria atravessar a rua sozinha. Não poderia ir à escola desacompanhada. Os pais ou responsáveis não deveriam permitir; A escola não deveria aceitar. Sem falar que os perigos não se restringem a atropelamentos. Existem ainda os raptos, estupros, exposição a drogas, e por aí vai…

O.k.! Vamos reivindicar mais sinalização defronte às escolas (faixas de pedestres, os desmoralizados fotossensores, quebra-molas etc.), mas que tal também desenvolver programas onde pais voluntários possam auxiliar nessas ações? Sim, primeiro, porque é compromisso da família participar da vida escolar e, depois, porque o primeiro argumento torto do Poder Público para não cumprir seu dever será o da eterna carência da mão de obra de porteiros, seguranças e guardas de trânsito…

Pobre Letícia, a menininha Pitaguary morta por atropelamento ontem (quarta-feira, 10), antevéspera do dia das crianças, em Maracanaú (região metropolitana de Fortaleza), quando tentava atravessar a rua sozinha, em frente à sua escola. Não, não foi uma fatalidade. Sua morte poderia ter sido evitada. Que não tenha sido em vão.

(Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)

Sobre Celma Prata

Celma Prata é jornalista profissional e escritora. Autora dos livros "Descascando a Grande Maçã" [Sete_2012] e "Viver, Simplesmente" [Sete, 2016]. Atualmente integra o Conselho Editorial do Jornal AgroValor. É membro efetivo da Academia Fortalezense de Letras, da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil e da Sociedade Amigas do Livro, onde lidera o conselho gestor para o biênio 2016-2018. Ver todos os artigos de Celma Prata

2 respostas para “Letícia, a única inocente

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Jornalista que flerta com o mundo da moda desde criança, voltou ao mundo dos blogs para saciar a vontade de escrever sobre os temas que mais gosta de ler e pesquisar sobre. Cresceu assitindo ao programa "Fashion File" com Tim Blanks, assina uma coluna de moda semanal no jornal cearense O Povo há mais de três anos e neste espaço vai dividir um pouco de seus guilty pleasures.

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