A primeira, a gente nunca esquece!

Dois meses de preparação, véspera em relax total, nada de farra, dormir cedo para acordar antes das 5h.  Visto meu uniforme de “maratonista” (perdão pela licença poética), faço uma refeição leve, sintonizo no mp3 a playlist da filhota e caminho até o aterrinho da Praia de Iracema. Já lotado às 6h! Inúmeras tendas com fartos bifês de frutas, água, isotônicos, barrinhas de cereais etc.

Chip fixado no tênis, numeração alfinetada na camisa, pulseira do revezamento no pulso, alongamento no capricho e, às 6h30 em ponto, largo em primeira, afinal estar nos fifties tem que ter alguma “vantagem”, concordam? Detalhe: a média de idade dos outros sete integrantes da equipe era a metade da minha idade completa. Fazer o quê?

Faço o percurso de 5,27 km lado a lado com o treinador da nossa equipe, que me dá a maior força (mordomia total!), me enche de palavras motivadoras (“está ótima!”; “se mantiver esse ritmo até o final, vai concluir em 40 min!”; “nas ladeiras, se apertar, pode caminhar!”; “faltam só 2km!”), pega um copinho d´água aqui, um outro ali, mais um adiante… Eu diria que sem o Alisson o resultado não teria sido o mesmo.

Quando estamos para cruzar mais uma das transversais da Abolição que estava interditada para a prova, o guarda de trânsito faz sinal para pararmos, enquanto uma fila de carros atravessa a avenida. “Só não vou chegar em primeiro lugar, por causa desses carros!” O guarda imediatamente muda de ideia e manda parar os carros e, bem humorado, me fala: “Pronto, não será por isso!” Rimos todos, o espírito esportivo realmente contagia as pessoas.

Avisto ao longe a placa do final do percurso e “chinelo”, como dizemos aqui no Ceará,  pé na bunda, cruzo em disparada a linha de chegada. A emoção não me permite ver de imediato a parceira que vai continuar a prova. Passo, enfim, a pulseira para a Patrícia e corro para o abraço!

Sobre Celma Prata

Celma Prata é jornalista profissional e escritora. Autora dos livros "Descascando a Grande Maçã" [Sete_2012] e "Viver, Simplesmente" [Sete, 2016]. Atualmente integra o Conselho Editorial do Jornal AgroValor. É membro efetivo da Academia Fortalezense de Letras, da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil e da Sociedade Amigas do Livro, onde lidera o conselho gestor para o biênio 2016-2018. Ver todos os artigos de Celma Prata

4 respostas para “A primeira, a gente nunca esquece!

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